terça-feira, 30 de setembro de 2008

O que não gostamos em Toronto

Após 1 mês aqui, está na hora de escrevermos sobre o que achamos ruim na cidade. Afinal, apesar de gostarmos de Toronto, ela é uma cidade grande e tem seus defeitos.

Violência: Acho importante dizer que Toronto tem assassinato, estupro, tiros e todas as violências de cidade grande. Desde que estamos aqui já vimos nas manchetes dos jornais: jovem baleado e morto no pátio da escola, corpo atirado do carro em plena rodovia, moça estuprada perto da Universidade de Toronto, tiros disparados na área central da cidade, e por aí vai. E estas são manchetes de primeira capa de jornais que não são sensacionalistas, ou seja, são fatos que estão acontecendo e chocando a sociedade devido a regularidade. Dizem que um dos principais motivos da violência são as gangues que existem na cidade e que controlam as drogas.

Assaltos e Furtos: Apesar de não ouvir falar de assaltos aqui, descobri que um item é muito furtado por aqui, a bicicleta. Pela cidade existem diversos postes para você amarrar a sua magrela, porém quase nunca você encontra uma bicicleta nova ou bem conservada amarrada, as bicicletas que ficam amarradas são bem usadas e já vi várias vezes o dono levar a roda da frente ou o banco para garantir que ninguém vai roubar. O dono da B&B emprestou a bicicleta dele para um estudante francês e no primeiro lugar que ele a deixou, ela foi furtada com trava e tudo.

Atendimento Médico: Apesar de Toronto ter uma rede de saúde pública que atende todos os cidadãos, atualmente este sistema de saúde possui grandes gargalos. O primeiro gargalo está no Médico de Família, que é o médico designado para te atender você sempre que você tiver algum problema, então este médico é que pode fazer o encaminhamento para um médico especialista, por exemplo. Existe uma quantidade limitada de médicos que atendem cada região, e você só pode ir naquele médico que atende a região onde você mora. E em certas regiões aqui de Toronto, tem filas para conseguir um médico de Família pois não há médicos suficientes. Outro gargalo é o atendimento hospitalar, nesta semana saiu um artigo no jornal dizendo que um dos principais hospitais de Toronto está atendendo apenas casos de emergência pois a demanda está muito maior do que sua capacidade.

Sujeira: Toronto não é uma cidade limpa como as cidades européias, você vê lixo (garrafas plásticas, papel, etc) jogados na rua, praças, lagos e principalmente no metrô. Aqui as estações do metrô são antigas e não aparentam limpeza, no vagão do metrô você encontra jornal, copos de café, papel de lanche, tudo no chão. Mas o pior mesmo é quando você entra no vagão e alguém derrubou café ou refrigerante e você tem que pisar naquele chão grudando.

O pessoal joga jornal, copo e garrafa no chão como se fosse lixeira

Custo de vida: Toronto é uma cidade cara. O aluguel não é barato (o aluguel de um apartamento bem conservado de 1 quarto numa área bem localizada/4 quadras do metrô sai de CAD$ 1.100 à 1.200), o Canadá tem um imposto bem alto (13%) que incide em toda compra ou pagamento de serviços, a comida não é barata (350 gramas de filé de frango são CAD$ 6,28), principalmente se você for comer fora, vair te que pagar a refeição, o imposto e mais uma gorjeta de 15 à 20% para o garçom.

Tempo de Almoço: O tempo de almoço durante o período de trabalho aqui é 30 minutos (sem exceção), mas dizem que isso muda quando você vira diretor (hehehe). Com esse pouco tempo, a maioria das pessoas traz o almoço de casa ou come um sanduíche na própria mesa. Ou seja, a principal refeição é o jantar e não o almoço. Para nós é uma diferença grande, pois nossa principal refeição era o almoço e o jantar uma coisa leve. E pelo que estou sentindo, essa mudança de hábito faz você engordar!

Muita gente nos pergunta se Toronto é uma cidade boa para morar. E o que podemos dizer é que Toronto é uma cidade como tantas outras cidades, tem qualidades e tem defeitos também. Para você sentir onde agrada e onde incomoda, só você mesmo. Então, o conselho é venha com o espírito preparado para conhecer, pois sempre será diferente do que você está acostumado.

domingo, 28 de setembro de 2008

Niagara Falls

Tiramos o sábado para dar uma de turistas e conhecer Niagara Falls. Para quem não sabe, Niagara Falls é uma cidade onde estão as maiores cachoeiras do país (tipo Foz do Iguaçu) e fica na divisa entre Canadá e Estados Unidos.

Aqui em Toronto tem várias empresas que oferecem pacotes para Niagara Falls, mas como gostamos de ter liberdade, resolvemos ir por conta própria. Tinhamos opção de ir de ônibus ou trem. Pesquisando via internet descobrimos que ir de trem era mais caro (Só ida, CAD$ 35 de trem e $25 de ônibus). Mas como queríamos conhecer o trem, resolvemos optar por ele. Fomos comprar as passagens na quinta a noite, e chegando lá a moça nos informou que eles estavam com uma promoção, a ida custava CAD$ 35 para 2 pessoas, e se voltassemos no mesmo sábado, a volta custaria $ 35 também para 2 pessoas. O passeio já começou bem.

Para quem não faz questão de ir de trem, a forma mais barata de ir para Niagara Falls é pegar o ônibus que sai de downtown (ChinaTown) patrocinado pelo Cassino de Niagara Falls. Me disseram que você paga $5,00 (ida ou volta).

Chegamos na Union Station (estação central) 7:50, para embarcar no trem 8:00, com saída prevista para 8:30. A passagem de trem não tem assento marcado, então quem chega cedo, pode escolher os lugares. A estação de trem é como aeroporto, tem portão de entrada, check-in na fila, painéis mostrando próximas saídas e se estão no horário, etc. O trem saiu na hora certa, e passa por várias cidades próximas de Toronto como Oakville, Hamilton, etc. Pela janela do trem você pode ver que ao redor de Toronto tem muitos galpões de armazenamento, fábricas e agricultura. Chegando próximo a Niagara, é possível ver as plantações de uvas para os vinhos da região de Niagaras on the Lake.

Estação de Trem em Niagara Falls

Depois de quase 2 horas chegamos em Niagara Falls, uma pequena estação de trem e poucas casas ao redor dela. Conosco desceu um vagão inteiro de turistas. E lá estava uma fila de táxi esperando mas a gente foi procurar um ônibus para nos levar até as cataratas. Encontramos o Shutter Falls, e de novo a placa na entrada do ônibus informando que o motorista não carrega troco e infelizmente nós estávamos sem trocado. Mas com aquele monte de turista, deveriam ser mais flexíveis, resolvemos tentar. O motorista não tinha troco, mas ele gentilmente disse que podíamos entrar e no próxima parada haveria uma loja onde poderíamos comprar o passe para o ônibus. Mas ele acabou conseguindo troco antes mesmo de sairmos do ponto. E viva as cidades turísticas!!! Eles vendem um passe de ônibus que vale para o dia todo, ele é mais barato do que se você comprar ida e volta. O passe para o dia todo custa CAD$ 6,00 e somente a ida ou volta $ 3,50. A vantagem é que o ônibus passa por todos os pontos turísticos de Niagara Falls, e é perfeito se você deseja conhecer tudo.

A medida que o ônibus vai entrando na avenida principal já é possível ver o rio, a pequena cidade se transforma e você vê grandes prédios, hóteis enormes, parques bem cuidados e já está nas cataratas. Tem até museu de cera, parques de diversões, um enorme cassino, Hard Rock, enfim, tudo muito americano.

Ah, e como não poderia deixar de ser, é lotado de turistas. Acho que Niagara é a cidade mais turística que eu já vi. Sua infra-estrutura e quantidade de turistas impressiona.

Cachoeiras e Turistas

Você tem vários passeios para conhecer as cataratas, barco, helicóptero, bondinho, enfim, para todos os gostos e bolsos. Nós só fizemos um passeio chamado Tour Behind the Falls, custa $ 12,60 por pessoa e vale a pena. Não tem um corredor de vidro atrás das cataratas, mas você chega bem próximo de onde as águas caem. Prepare-se para se molhar e molhar a câmera também, impossível não tirar foto de lá.

Se você gosta de parques de diversão (elevador, cinema 3D, casa fantasma, etc), imponentes hotéis e cassinos, e adora uma loja de souvenir: Niagara Falls é o lugar perfeito para você.

Parque de Diversão

Com a gente curte mais natureza, fomos passear pelos parques na calçada oposta às cataratas (bem cuidados e bonitos).

Uma coisa muito legal é que tem grama verdinha e arvóres por todo lado, então você vê o pessoal de frente para as cachoeiras fazendo pic-nic na grama debaixo de uma sombrinha e este céu azul de final de verão.O gramado é ideal para descansar

Pegamos o trem de volta às 17 horas, cansados mas muito satisfeitos com o passeio.


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Consciência Brasileira X Consciência Canadense

Pense na primeira coisa que vem a sua cabeça quando eu digo que para pagar a passagem no streetcar ou ônibus em Toronto você deposita suas moedas no valor exato da passagem numa caixa e o motorista não confere o que você depositou.

Se você pensou que alguém deliberadamente pode depositar um valor menor, continue lendo este post.

Quando eu vi como funcionava o cartão do Metropass (Passe mensal para usar o transporte público, maiores informacoes sobre transporte público leia aqui), automaticamente já fiquei me perguntando como eles fiscalizavam para não haver abusos como por exemplo: passar uma família inteira com o mesmo cartão ou falsificar o cartão pois no ônibus e streetcar nao há leitora de cartão e você apenas apresenta a distância para o motorista.

Mas o mais interessante é contar para um canadense de longa data todas estas formas de burlar o sistema, e ele te perguntar: Mas porque alguém faria isso?

E a primeira resposta que eu pensei foi: para levar vantagem e não pagar a passagem. Mas eu resolvi esquecer a má fé. Então pensei que uma pessoa poderia fazer isso porque ela não tem condições financeiras de pagar, mas isto não contece aqui pois o governo ajuda pessoas sem condições financeiras e ela não fica sem opção. Sendo assim, faz sentido a pergunta do meu amigo canadense. Porque alguém iria se "sujar" por tão pouco?

Confesso que fiquei envergonhada de meus instintos, imaginando que uma pessoa pode estar querendo levar uma vantagem. E se pensarmos bem, o que vai impedí-la não são sistemas ou regras, mas a sua própria consciência.

E acho que é por isso que as coisas ainda funcionam aqui, saber que existe um sistema (longe de ser perfeito) mas que numa situação extrema você pode contar, e o respeito que existe pelo espaço e direitos do próximo.

domingo, 21 de setembro de 2008

Uma cidade para cadeiras de rodas e carrinhos de bebês

Uma coisa muito diferente entre Toronto e São Paulo é a forma como a cidade está preparada para circulação de pessoas com andadores (geralmente idosos), carrinhos de bebês e pessoas com cadeiras de rodas.

Aqui é muito comum você encontrar cadeirantes (nome politicamente correto para pessoas com cadeiras de rodas) nas ruas, e inclusive no metrô e pontos de ônibus. Diferente de São Paulo que raramente tem cadeirantes utilizando o transporte público e quando tem, os equipamentos não funcionam direito ou depende da ajuda de um funcionário. Aqui você vê vários lugares preparados para cadeirantes. O metro tem elevadores para uso dos cadeirantes ou de mães com carrinhos de bebês e não precisa esperar por funcionário nenhum. Como aqui você tem 69 estações eu não sei dizer se todas tem, mas na grande maioria eu vi pessoas utilizando.


Elevador na Union Station

Em bancos, supermercados, shoppings existe sempre uma porta destinada para passagem de carrinhos de bebê e cadeiras de rodas. Mesmo o banco com aquela porta giratória, tem sempre uma porta ao lado destinada para este fim.

Aqui é tão prático andar com carrinho de bebês que a mãe carrega a criança no carrinho até uns 5 anos de idade. Para um brasileiro à primeira vista pode parecer que a criança é muito preguiçosa para ainda andar no carrinho, mas depois que você vê como é fácil circular com o carrinho, você entende que para mãe é bem melhor empurrar o carrinho que ficar carregando a criança, porque criança pequena sempre pede colo cedo ou tarde.

Devido a facilidade de se locomover aqui (calçadas planas e largas, guias rebaixadas para passagem, etc) você também vê muitos idosos andando com andadores e com cadeiras motorizadas, fazendo compras ou simplesmente passeando. Quando fomos para Toronto Island, vi um casal de velhinhos com cadeiras motorizadas indo passear na ilha.

Pelo pouco que vi até agora, se eu dependesse de cadeira de roda, conseguiria fazer muito coisas sozinha aqui em Toronto, bem mais do que em São Paulo.


Como descer de um streetcar - Fora 1

O que eu aprendi desde que cheguei aqui é não assumir que sei algo. Sempre verificar antes como funciona porque aqui pode ser MUITO diferente.

E isso se aplica a coisas simples como pegar e descer de um streetcar (pequenos bondes elétricos que andam por toda a cidade - ver esse post para mais detalhes).

Regra 1 - streetcar e ônibus não tem cobrador, então você tem que levar o dinheiro trocadinho porque o motorista não carrega troco. E aqui não tem essa de entrar e esperar para trocar o dinheiro, sem trocado nem sobe no veículo.

A primeira vez que peguei o streetcar, eu estava sozinha. E já sabia da regra de levar o dinheiro trocado. Super confiante vi no mapa a rua em que o streetcar passava e já sabia que tem um ponto em cada quadra da rua, então era só andar pelo quarteirão e achar o ponto. Quando achei o ponto, me vi com a primeira dúvida, o trilho do streetcar está no meio da rua (para quem mora em São Paulo, imagine você esperando na calçada, sendo que o ônibus passa no corredor de ônibus), entre o streetcar e eu, passam carros. Se o streetcar parar no meio da rua, como vou fazer para atravessar até o streetcar? Como tinha mais gente no ponto, relaxei e pensei comigo mesma, de algum jeito isto funciona. Foi quando o streetcar parou e para minha surpresa, todos os carros param também mesmo que o sinal esteja aberto, ou seja, todas as portas (saída e descida) ficam livres para os passageiros.

Dentro do streetcar, tudo é mais tranquilo pois cada parada é anunciada. Foi quando meu ponto foi anunciado, eu rapidamente puxei a "cordinha" e o sinal de parada solicitada acendeu. E fiquei na porta esperando ela abrir. O streetcar parou e nada da porta abrir... Fiquei olhando para a porta e imaginando se a porta quebrou, mas não podia ser porque eu já tinha visto gente descer antes. E enquanto eu ficava imaginando o que estava acontecendo, o motorista seguiu em frente, puxei a cortinha novamente e fiquei de novo esperando. O streetcar parou e nada da porta abrir, aí eu resolvi descer pela frente ( a porta da frente fica sempre aberta). Desci correndo, o motorista me achando uma louca e provavelmente os passageiros tentando entender o que aconteceu.

Encontrei o Robson e perguntei pra ele como fazer para que as portas do streetcar abrirem. Ele disse que não fez nada para abrir. Como sou persistente, lá fui eu de novo pegar o streetcar para entender aonde eu errei. Ao reparar no que as pessoas faziam, percebi o meu erro. As portas são acionadas por um sensor no degrau na escada da saída do streetcar. E eu não fiquei no degrau, mas acima dele. Tem que ficar no degrau, não é óbvio????

Ah, para descer do ônibus, as portas também são abertas pelos passageiros, você tem que ou fisicamente empurrar a porta para abrir. Agora você já sabe como descer de um streetcar ou ônibus em Toronto. :)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Estádio Rogers Centre (ex-SkyDome)

Aproveitamos que o último sábado estava chuvoso e fomos conhecer o Rogers Centre (http://www.rogerscentre.com), um estádio muito moderno de Toronto que fica ao lado da CN Tower, bem no centro da cidade. Ele é a casa de dois times, o Toronto Blue Jays, de Baseball, e o Toronto Argonauts Football, de futebol americano.

O estádio por fora impressiona. Apesar de sua capacidade para 60.000 pessoas (metade da capacidade do Morumbi em São Paulo), ele foi o primeiro estádio com teto retrátil do mundo. Em dias ensolarados e com temperatura amena, um sistema automatizado recolhe o teto em 20 minutos. Resolvemos pegar a Rogers Centre Tour, uma excursão para conhecer o estádio e que é vendida na portaria em frente à CN Tower, sem precisar reservar. Custou CAD$ 13,25 por adulto.

Estádio com o teto aberto.

Pegamos a última tour das 16h, quase fomos os únicos dois a comprar. Nos últimos minutos chegaram mais 2 pessoas, um pai e filho suíços. O guia fala tudo em inglês e bem rápido (não há legendas), ele começa explicando sobre a versatilidade do estádio, que pode ser montado para um jogo de futebol americano, beisebol, show de música, pista para motocross, casamentos, etc. E quando ele fala montar, é montar desde as placas de grama, pintar as marcas do campo de futebol ou beisebol, mudar os assentos de lugares e tudo mais de acordo com o evento que irá ser realizado.

Troca do piso de football para baseball (leva até 20h de trabalho)

Conseguimos ver eles desmontando o campo de futebol americano do jogo que aconteceu no dia anterior (sexta) e montando o campo de beisebol para o jogo de terça-feira seguinte. A alta tecnologia vai até a elaboração da placa de grama que foi desenvolvida por canadenses a um custo de CAD$ 2 milhões, e ela realmente é muito diferente. Eles nos mostrou a placa de grama antiga e a atual e a semelhança com a grama natural é impressionante.


Vídeo com visão geral do estádio e comentários do guia

O guia nos levou ao segundo nível do estádio (com elevadores!), onde estão os melhores lugares. Ali você tem a idéia da criatividade daqueles que fizeram o projeto de construção. Dentro do estádio você tem diversos restaurantes (entre eles o Hard Rock Café) contendo mesas com vista para o campo e um Hotel Renaissance que tem quartos com vista para o campo. É impressionante, você tem que ver para entender como eles construíram isto.

Imagine você estar na sua cama do hotel e da janela ficar vendo o jogo do seu time ou então você está comendo no restaurante e quando vira a cabeça, a bola de beisebol vem vindo na sua direção. É isto mesmo. O guia disse que até hoje nenhum vidro foi quebrado e nenhuma bola conseguiu passar pelo teto e sair do estádio...


Esse monte de janelinhas em baixo e ao lado do telão são restaurantes e hotel

Para os pobres mortais que estão na parte povão do estádio tem uma completa praça de alimentação no primeiro andar com todas as marcas famosas de fast-foods e comidas, tem até um stand de venda do sorvete Haagen-Dazs (e como é barato aqui!!)

Campeão mundial em 1992 e 1993... já faz um tempinho!

Depois fomos conhecer a ala vip onde estão os camarotes. Lembra daqueles filmes onde as empresas levem os seus clientes de milhões de dólares para ver os jogos em camarotes privilegiados? Então, conhecemos um e realmente é luxuoso. Cozinha, bar americano, sala de estar, TV enorme e assentos confortáveis de couro com vista privilegiada para o jogo. Pelo menos uma vez na vida estivemos ali.

Camarotes VIP... Como ainda não somos, tivemos que pagar pra sentar na poltrona, sem jogo nem comida!


Mas descobrimos que o melhor lugar do estádio é a área reservada para imprensa. E a maior vantagem, a imprensa não paga para assistir nenhum jogo! O guia nos contou que
quando construíram o estádio, eles fizeram um concurso para dar um nome a ele. Venceu uma professora que sugeriu o nome de SkyDome. O prêmio ganho foram dois lugares vitálicios, na melhor área do estádio, para quando e que jogo ela quiser assistir. Para sempre. Este nome ficou até alguns anos atrás, quando a empresa de telefonia Rogers pagou CAD$25 milhões para colocar o nome dela no estádio. Mas mesmo assim a professora ainda tem o lugar cativo dela garantido no estádio.


Sala de impresa, a melhor vista do estádio.
Saímos de lá muito impressionados com a tecnologia do estádio e com a vontade de voltar para assistir um jogo. Mas antes precisamos estudar melhor as regras de beisebol e futebol americano para conseguir entender o que está acontecendo em campo e torcer. Ah, diferente dos demais estádios, aqui não há separação entre torcidas, ficam todos misturados! E não sai briga.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Primeira caminhada noturna em Toronto

Depois de quase 3 semanas em Toronto, resolvemos tirar a sexta para passear a noite em Downtown (centro). Saímos do B&B umas 7 horas da noite (aqui no Canadá não se diz 19, mas 7 pm). Pegamos o streetcar e lá fomos nós jantar em Chinatown (bairro oriental no centrão mesmo).

A cidade estava bem animada, nesta semana acontece o TIFF (Toronto International Film Festival). Acontece todo ano e vem gente do mundo inteiro para a cidade. Só nesta semana estavam aqui: Brad Pitt, George Clonney, Lian Nelson, Antonio Banderas, Edward Norton, mas infelizmente a gente não pode encontrá-los porque estávamos muito ocupados procurando uma casa para alugar. Ah, as belas stars também estavam aqui como Paris Hilton, Jennifer Aniston, mas eu não reparei muito, deixo para o Robson complementar esta lista.

Continuando, resolvemos fugir do centro hollydiano e fomos bater umas fotos da CN Tower a noite. Já foi diferente porque pegamos a saída de um jogo de futebol americano no estádio do Roger Centers que fica ao lado da CN Tower. É muito diferente de uma saída de jogo de futebol brasileiro, o público é mais família. Você vê pais e filhos saindo do jogo, as crianças todas uniformizadas e com bolas de futebol nas mãos e casais de namorados. Eu não vi como em São Paulo, bandos de homens uniformizados, bebendo e querendo chamar atenção. E olha que era uma sexta-feira a noite.


Rogers Center e CN Tower iluminados (a torre muda de cor)
Bom, como estávamos querendo ver até que ponto iríamos nos sentir seguros resolvemos ir até as margens do Lago Ontário, onde tem um parque e uma orla sem comércio. Apesar do pouco movimento e de uma certa escuridão, é tão tranquilo que você vê pessoas sentadas nos bancos das praças admirando os barcos iluminados passarem ou mesmo olhando para as luzes coloridas da CN Tower. Nem parece a maior cidade do Canadá.


Prainha à noite na frente do lago

Ficamos andando pela orla a noite, sempre tem pessoas sentadas conversando, turistas andando e você se sente bem a vontade. Não existe aquele medo do que você irá encontrar na próxima esquina, ou aquele passo apressado para não "dar bobeira". Tanto que quando nos demos conta já eram 11 horas!


Pier e prédios de downtown (no fundo)

Na volta pegamos um streetcar e metrô e foi bem tranquilo. Chegamos na B&B sãos, salvos e impressionados em como nos sentimos bem andando a noite no centro de Toronto.

sábado, 13 de setembro de 2008

Bombeiros - Paranóia ou segurança?

Na primeira semana vimos um acidente entre 2 carros na avenida em frente ao Lago Ontário. Um dos carros amassou bem, porém o que mais chamou a atenção foi a quantidade de carros de bombeiros, polícia e ambulância que interditaram a avenida. Não parecia precisar de tudo aquilo, mas vai saber.

Na segunda semana, outra batidinha na esquina perto do metrô. Só amassou o parachoque do carro, mas haviam três guinchos e 1 carro de polícia. Novamente não entendemos a proporção de 3 guinchos para 2 carros, algo exagerado.

Esta semana estava tomando banho e ouvi uma série de sirenes. Normal ouvir isso de vez em quando. Ao sair, a Cláudia, com cara assustada, contou que a casa da frente estava pegando fogo! As sirenes eram dos bombeiros na nossa rua! Corremos pra fora ver o que estava acontecendo. Em casa, as luzes já apagadas e todos dormindo.

Encontramos 2 caminhões enormes de bombeiros com luzes piscando pra todo lado, uma equipe de pelo menos 10 bombeiros com machadinho na mão, máscaras e tanque de oxigênio na costa e um carro com 2 policiais na porta de casa. Pelo porte da equipe, a coisa parecia séria.


Parecem astronautas, são bombeiros!

Não conseguíamos ver fogo nenhum, só fumaça no ar. Os bombeiros já estavam em cima no telhado do galpão que tem aqui na frente procurando pelo fogo. Todo mundo na calçada assistindo a cena. Uma vizinha nos perguntou ontem tinha fogo: "deve ser ali na frente", falamos.


Reunião para discutir de onde vem a fumaça...

Aproveitamos a confusão e tiramos algumas fotos, meio desconfiados se iram reclamar ou dizer que era proibido. Tiramos sem flash para não chamar atenção. Eles até que pareciam calmos, deviam saber que o fogo já devia ter apagado, era só fumaça. Mas ainda não sabiam de onde estava vindo.


A busca continua...

Mas a tal fumaça não parava, parecia estar aumentando. Demorou até que um dos bombeiros passou pela gente e foi até o portão lateral da nossa casa, olhando pra dentro com uma lanterna. Chegamos perto e ele perguntou se tínhamos esquecido algo no quintal pegando fogo, tipo churrasqueira. Dissemos que não sabíamos, a casa não era nossa, éramos apenas convidados. Ele pediu então para entrar, queria ver melhor. Dissemos que abriríamos o portão por dentro, ele estava trancado.


Olha o tamanho do monitor dentro do carro da polícia.

Entramos para destravar o portão e demos de frente com o proprietário vindo lá do quital. Contamos o que estava acontecendo e ele já foi pedindo desculpas pelo incômodo que estávamos tendo. Não entendemos direito, até ele dizer que teve um "probleminha" no quintal mas que tudo já estava controlado. É, a fumaça estava vindo da nossa casa!!

Ele estava descansando no ofurô que tem no quintal, relaxando e ouvindo música e não percebeu o incidente. Provavelmente estava com uma churrasqueira ao lado que eles sempre usam para se aquecer e algo fugiu do controle, fazendo muita fumaça, não sabemos ao certo.



Vídeo do "Toronto Fire Department" em ação


Aberto o portão, os Bombeiros entraram com tudo pra vasculhar nos fundos. O dono só nos disse: "Welcome to Canadá, guys". Explicou que todo morador tem obrigação de ligar para o 911 em caso de qualquer suspeita, a menor que seja. Na casa dele já vieram 3 vezes, estava acostumado.

Após tudo bem examinado e explicado, fogo realmente extinto, a equipe de bombeiros, dois caminhões gigantescos, policiais e toda a parafernália foram embora. Só ficou o cheiro. Dormimos defumados esse dia.

No final achamos engraçado, é muito diferente a iniciativa deles por causa de uma suspeita. Levam a sério o "onde há fumaça há fogo". Mas não foi dessa vez que eles conseguiram usar todo o tanque de água que carregaram. Ainda bem!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Solicitando o cartão de saúde

O Canadá é conhecido pelo seu sistema de saúde público e universal. Aqui o Governo oferece cobertura a uma série de consultas médicas e cirurgias gratuitamente a todos os moradores, sem distinção. Todos utilizam esse sistema e são atendidos da mesma forma, nos mesmos lugares, seja você um mendingo, desempregado, funcionário, diretor ou dono de empresa.

Ninguém tem preferência ou vantagem sobre o outro. Parece um conceito "socialista" mas no fundo não é. O Governo paga pelos serviços, mas quem os executa são entidades de saúde privadas. Ou seja, é uma organização com vários clientes, mas com apenas um pagador, o Governo.

A responsabilidade pelos serviços de saúde é dividido entre o governo Federal e o da Provincia (equivalente a um estado brasileiro). O Federal estabelece as regras, condições e leis sobre o assunto, porém é de responsabilidadade de cada província prover os serviços aos cidadãos. Por isso pode haver diferenças entre cada província do Canadá.

Existe uma lista de serviços e tratamentos de saúde que cada província é obrigada a oferecer gratuitamente. Essa lista contém os principais tratamentos e os mais comuns. O que não tiver nessa lista, o Governo não cobre. Por isso algumas pessoas preferem comprar um seguro de saúde particular complementar, que cobre o excedente. Algumas empresas oferecem esse seguro complementar a seus empregados como forma de benefício.

Esse é um conceito que deveria estar funcionando no Brasil através do SUS. O Governo deveria oferecer de graça os serviços básico e as empresas privadas, o complementar. Mas aí ninguém confia na qualidade do atendimento público e já sai comprando direto o privado, que oferece todos os serviços. E no final o Governo foca-se em regular esse mercado privado, dando pouca atenção de investir no público.

Aqui em Ontário existe uma carência para poder utilizar o sistema público de saúde de 3 meses, contados a partir da data que você vira morador (no nosso caso, o dia que chegamos no aeroporto). Outras Províncias são mais atraentes e não exigem tempo de carência para início do uso do plano de saúde. Como chegamos em Agosto, só temos direito ao uso a partir de Novembro. Por isso contratamos no Brasil um seguro de saúde internacional específico para esse perído de 3 meses. Não queremos usar, mas se for necessário temos essa cobertura.

Chegando aqui, devemos fazer a inscrição para o cartão de saúde. Porém eles exigem uma prova de que realmente estamos morando na província de Ontário. Existem várias formas de provar, mas quando chegamos não tínhamos nenhuma. Por isso fomos logo abrir conta no banco para que no final do mês pudéssesmos receber o extrato pelo correio, uma das comprovações de residência aceita (e tem que ser somente o extrato, não aceitam carta do banco).

O nosso extrato finalmente chegou essa semana e hoje fomos correndo para um dos escritórios fazer a inscrição. Chegando lá (de novo num shopping), vimos que ele também se destaca, é muito diferente dos postos de Poupatempo em SP.

Havia uma fila razoável para pegar a senha (triagem), porém estava andando bem rápida. Em todo momento o antendente falava alto para a fila que depois que pegássemos a senha o atendimento seria rápido.

Com a senha em mãos, fomos para os banquinhos de espera. Realmente o lugar não se parece em nada com o nossos serviços públicos. Prédio de ótima decoração, assentos novos, TVs de plasmas, tudo muito arrumado.

Nos chamaram rápido para um guichê. Entregue os comprovantes, ele pediu para que aguardássemos sentados até que preenchesse o cadastro no sistema. Chamou de novo pelo meu nome. Chegando lá, pediu para que eu encostasse na frente de uma placa branca, que há na frente de cada guichê, para tirar foto. Cada guichê tem uma câmera fixa com flash, que ele dispara automaticamente do computador (bem mais evoluídas do que aquelas webcam que estamos acostumados a ver nos prédios de SP).

Tirada a foto, pediu para que eu assinasse. Só que não era um papel, era em uma prancheta digital, com caneta digitial. É como se estivesse assinando com um mouse no computador. Minha primeira assinatura ficou horrível, tem que acostumar a escrever naquilo. Pedi para assinar de novo, ele apagou e a nova ficou melhor.

Chamou a Cláudia e fez o mesmo procedimento. No final entregou para nós apenas um papel com nossos dados contendo a data a partir da qual teremos direito à saúde. Pediu apenas para conferirmos se os dados estavam corretos. O cartão será enviado pelos correios, pelo jeito com nossa foto e assinatura digital!

Mais uma vez ficamos impressionados pela qualidade e agilidade dos serviços e pela tecnologia que o sistema público dispõe aqui. Agora é aguardar pela carteirinha.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Preocupação com Meio Ambiente

Isso já vimos no primeiro dia. Aqui na B&B todo lixo é separado. A prefeitura fornece containers de cores diferentes para cada tipo do lixo (reciclável, orgânico, lixo de jardim e não reciclável) para cada casa.

Container Azul para Reciclável

O verde é para lixo orgânico e o cinza para o lixo não reciclável

O interessante é que o lixeiro passa apenas uma vez por semana e a cada semana tem um certo conjunto de tipos de lixo que ele recolhe definido por um calendário anual por zona da cidade. Ou seja, cada morador armazena 7 dias de lixo e dependendo do tipo pode ter que armazenar por 15 dias. Isso já vai conscientizando-o de que não pode ficar gerando muito lixo pois ele mesmo sente o que é armazenar 15 dias o seu próprio lixo.

Detalhe, as lixeiras só podem ser colocadas na rua no dia em que o lixeiro passa e existem limites de lixo por casa, é regra! Amigos nossos que moram em um basement (porão) dizem que têm que armazenar o lixo e depois há um certo desespero porque o container é tamanho único por casa, então se você vive com mais pessoas tem que bolar um jeito de diminuir a geração do lixo.

A Prefeitura mantém um site muito legal para dar informações: http://www.toronto.ca/garbage/index.htm e um telefone para retirar dúvidas quanto à reciclagem do lixo.

Além das casas, por todos os lugares nas ruas da cidade há lixeiras públicas separadas para cada tipo de lixo, mas eu olhei dentro de algumas e pude ver que não há muito discernimento do pedestre na hora de separar o lixo. A grande pergunta é se isto acontece pela pressa e distração da pessoa que está passando ou falta esclarecimento.

Nos supermercados eles incentivam levar sacola para não consumir embalagens plásticas (estamos usando nossas mochilas). A maioria das pessoas tem suas próprias sacolas. No mais famoso supermercado, o NoFrills, as sacolas plásticas são cobradas e sacolas "verdes" estão a venda na boca do caixa.

Existem muitos produtos orgânicos nas prateleiras principalmente nos produtos industrializados e o melhor, eles não são caros como no Brasil. Aqui parece que o conceito orgânico já é o padrão. Ai daquele produto que não é.

Na quinta passada saiu no jornal impresso Toronto Star um caderno sobre Carros Verdes, dizendo quais carros causam menor impacto para o meio ambiente. Existem outdoors de propaganda de uma empresa de ônibus no metrô anunciando que por CAD$ 10,00 você compra uma passagem de ônibus para Montreal e, além de economizar combustível do carro, você ajuda a diminuir a poluição e o impacto no meio ambiente. Para se ver como isto é um argumento importante e utilizado massivamente pela mídia.

Neste domingo andando pelo bairro de Kensington vimos um carro "enterrado" de terra e plantas, tinha até uma árvore brotando pelo teto. No vidro traseiro, escrito "favor não guinchar". Era um protesto.


Carro-protesto de ativistas verdes

Mas numa cidade onde a bicicleta é um meio de tranporte muito utilizado e incentivado, eu diria que Toronto está realmente tentando fazer a sua parte.

Aluguel Apartamento - Como procuramos

Depois de 1 semana, começamos a procurar um lugar mais definitivo para ficar em Toronto. A primeira coisa que fizemos foi procurar nos sites de classificados mais utilizados aqui no Canada: craiglist e kijiji. Procuramos também em jornais e outros sites de classificados, mas não achamos muita coisa diferente.

Caminhar pelos bairros que mais gostamos também nos trouxe várias opções legais pois, no caso de prédio de apartamentos, sempre tem a plaquinha indicando se há algum para alugar e o telefone de contato. E o diferente aqui em Toronto é que os apartamentos desses prédios (buildings) pertencem a uma única empresa que os administra e aluga, então sempre tem um corretor no prédio ou, como eles chamam aqui, tem o "superintendent" (que aparenta ser uma espécie de zelador do prédio) para te mostrar um apartamento livre.

Outra diferença é que eles chamam de "Apartment" qualquer espaço que seja maior do que um quarto para se morar, mas não uma casa inteira. Ou seja, se alguém transformou o porão em um quarto-sala-banheiro, é "Basement Apartment". Se é um andar de uma casa de 3 andares, também é um Apartment. E tem também os nossos conhecidos apartamentos de prédios.

As opções aqui para quem quer alugar algo são, na ordem de preço do mais barato para mais caro, tomando por base uma mesma região: Basement ("porão" de casa, geralmente bem arrumado e com entrada independente), Apartment-Main floor (1o. andar de uma casa), Apartment - 2o. floor (2o. andar de uma casa), building apartment (prédio de apartamentos) e condo (apartamentos em condomínios que geralmente são mais caros e sofisticados).

O preço varia muito de acordo com a localização, como em toda cidade grande. Existem bairros mais valorizados na cidade de Toronto como Downtown (centro), Rosendale, Sheppard e High-Park. Mas a dica é você andar por vários bairros e selecionar os que mais te agradam. Agiliza muito se você tiver uma bicicleta e ir pedalando pelo bairro batendo foto das placas anunciando os apartamentos, o Robson fez isso um dia e voltou com várias opções. O trabalho depois é ficar ligando para cada um pesquisando preço e agendando uma data e hora para visitar e ver como é.

Cuidado com algumas regiões se você não conhece a cidade, sempre é bom pesquisar com gente que conhece, preferencialmente um morador de longa data. Mas os bairros que nos aconselharam a evitar é a região da estação Lansdowne do metrô, conhecida por haver bêbados e drogados. Nesta deve-se tomar cuidado à noite (para se ter uma idéia ouvimos isso do dono de um basement há 3 quadras do metrô que pretendíamos alugar, gostamos de ele ser muito sincero). Uma região mal falada em Toronto é a Finch Avenue. Ainda bem que ela está bem longe das áreas de nosso interesse.

Outra coisa interessante aqui é que a grande maioria dos contratos de aluguel começam no dia primeiro do mês. Então se você está procurando algo e é começo de mês, a maioria vai dizer que tem algo disponível para o dia 01 do mês seguinte ou o próximo. Existem alguns anúncios que falam de aluguel imediato mas geralmente não deve ser algo bom. Isto porque todo tenant (inquilino) tem que avisar o proprietário com pelo menos 2 meses de antecedência antes de sair do imóvel para que o landlord (dono do imóvel) possa ter tempo de achar outro inquilino para alugar. E pelas leis de aluguel de Ontario, neste período de 2 meses o inquilino que está saindo tem que deixar os interessados em alugar entrarem para conhecer o apartamento, qualquer dia da semana, das 9h às 17h. Então se o imóvel está livre para entrada imediata significa que o imóvel não teve procura em mais de 2 meses ou o proprietário não fez um contrato de aluguel.

Agora tem que ter muita força de vontade e paciência para ficar repetindo o ciclo do processo: procura anúncio, liga para pegar informações e agendar a visita, visita apartamento e começa tudo de novo porque você sempre gosta de algum novo anúncio no craiglist ou viu algo anunciado na rua.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Curso de Inglês Grátis para Imigrantes

Voltamos ao YMCA (não é um conjunto musical e para saber do que se trata clique aqui) para fazer o nosso English Assesment Test, que nada mais é do que uma prova oficial do Governo para eles identificarem o seu nível de inglês. A prova leva um pouco mais de 2 horas.

No meu caso começaram com o speaking (conversa) onde a avaliadora fez uma entrevista em inglês, depois ela me mostrou uma sequência de figuras e pediu para que eu contasse a história. O listening (ouvir) é composto de várias gravações, ela toca uma vez e pede para você contar o que entendeu do que você ouviu. Se a sua compreensão é boa, você passa para a próxima gravação que sempre tem um nível de dificuldade maior. O reading (leitura) é composto de testes de múltipla escolha, baseados em textos apresentados com tempo de 20 minutos. No writing (escrita) tem 2 composições a serem feitas no tempo de meia hora.

A correção é feita logo em seguida pela avaliadora e você já sai com o seu nível de inglês. Eles dão a nota separadamente, no caso o meu foi Speaking=6, Listening=6, Reading=8 e Writing=5 (a nota máxima é 8). Mas a nota mais baixa tem o maior valor e então minha nota final é 5. E com esta nota eu tenho direito a inglês grátis até chegar no nível 7.

O impressionante que tudo é tão rápido, que antes de você conseguir absorver todas essas informações, a avaliadora já acha a escola mais próxima do seu endereço atual, te matricula e já te dá um papel para você apresentar na escola no dia seguinte.

E assim foi, no dia seguinte (04/09) eu já comecei meu curso de inglês numa escola que fica há algumas quadras onde estou hospedada. O curso é das 9:00 até 2:30 (eles chamam de "full-time"), tenho 2 intervalos de 15 minutos e 1 intervalo de 30 minutos para o almoço.

No começo não tive uma boa impressão do curso, achei que por ser grátis e direcionado para imigrantes não deveria ser grande coisa. Mas para minha surpresa, a professora é bem experiente, tem boa didática e o nível dos alunos realmente é bom. O lugar é simples, mas bem limpo e a minha classe tem computadores (mas isto foi muita sorte pois ela é a única) e durante a semana fazemos rodízio com outras classes que precisam usar os computadores.

Até agora tive somente 2 aulas, mas estou aprendendo muito sobre as diferenças da pronúncia e linguagem canadense. Pode parecer que não, mas existem muitas diferenças pelo que eu vi até agora.

Outra coisa que reparei é que, como optei pelo horário de dia (há opção do curso noturno), a classe é formada por mulheres e a grande maioria tem marido trabalhando e trazem os filhos junto (as crianças fazem aula em outra classe no mesmo período que as mães). Isto é bom pois permite que a mãe possa aprender inglês e estar com o filho ao mesmo tempo. Imagino que se não fosse assim, muitas mães imigrantes continuariam falando somente sua língua original. A minoria são moças que vieram com os pais. Eu sou uma exceção.

Conversando com as minhas colegas de classe percebo que a maioria já está no Canadá há mais de 1 ano, porém elas privilegiam arranjar um emprego do que passar o nível de inglês. Enquanto eu estava na secretaria, ouvi umas 2 mulheres dizendo que estavam voltando para o curso porque perderam o emprego ou não estão mais sendo chamadas para trabalhar.

Para se passar de um nível para outro são 3 meses, depois você é avaliado e se estiver bem, é graduado para o próximo nível. Parece que você pode ser graduado antes de 3 meses se o professor considerar que você já atingiu o próximo nível. Então tenho muito trabalho pela frente.

Ah, no caso do Robson, ele já ficou com nota máxima 8 no teste e tem direito a um outro tipo de curso para aprimoramento do inglês (neste caso são apenas 3 meses). Mas com esse nível ele já pode fazer outros cursos muito bons e grátis para preparação para o mercado de trabalho canadense. Mas vou deixar que ele mesmo conte esta história na próxima postagem.

A Ilha de Toronto (Toronto Island)

A Ilha de Toronto é uma ilha no Lago Ontário muito próxima a cidade de Toronto, você chega até lá num Ferryboat (um tipo de balsa e bote) com saídas para 3 pontos da ilha (oeste, centro e leste) e paga CAD$ 6,50. A travessia demora uns 5 minutos e praticamente a cada meia hora tem uma saída (os tempos variam de acordo com o dia da semana).

Foto do mapa da Ilha de Toronto
(mapa oficial pode ser obtido aqui)

Era um lugar que eu queria muito conhecer pois todo mundo acha bonito. Deixamos para ir numa terça-feira porque de final de semana ela é muito concorrida pois o pessoal vai para ficar o dia todo, fazer um churrasco, tomar um banho na praia e andar de bicicleta.

Na espera já vimos que a maioria das pessoas vai com a bicicleta para ilha, afinal não deixa de ser uma das inúmeras opções para um passeio de bicicleta. A travessia tem uma vista muito bonita da cidade de Toronto, vale a pena.

Braços do lago que entram na ilha

Ao chegar lá você tem certeza que está chegando em um grande parque, com gramados extensos, canteiros floridos e gansos. A medida que você vai caminhando você encontra chafarizes, canteiros que remotamente lembram os do Palácio de Versalhes. A ilha é cortada por vários "rios" nos proporcionando cenários naturais muito bonitos. E com bancos espalhados por todo lugar para descansar e apreciar.

Um das centenas de bancos estrategicamente colocados ao longo da Ilha.

E logo você chega na praia. Apesar de estarmos no Lago Ontário, a praia tem areia e tem um muro que serve como um recife para evitar que as ondas incomodem os banhistas. Com o calor que anda fazendo dá mesmo vontande de entrar nesta piscina natural (a água estava morna!).

Piscina Natural protegida pelo muro de recifes (não natural)


A melhor forma de conhecer a iha toda é alugar uma bicicleta e sair pedalando. Ah, grande dica: não alugue a bicicleta com 2 ou 4 lugares e toldo que parece um carrinho. Apesar de parecer divertido, vi muitas pessoas cansadas e quase morrendo para pedalar, pois deve ser muito pesado, e acaba sobrando só pra um pedalar (o homem!). Além disso ela não poder ser utilizada sobre as pontes. Pagamos CAD$ 7,00 por 1 hora de bicicleta individual (as horas adicionais são mais baratas).


Trilhas para andar de bicicleta na ilha

O passeio é fantástico, a vista da cidade de Toronto fica mais linda quando você anda por uma orla e avista a cidade ao longe. Podemos dizer que a Ilha de Toronto nos fez decidir que se ficarmos em Toronto com certeza compraremos bicicletas.

Vista de Toronto a partir da Ilha

A ilha tem sua própria marina com muitos barcos atracados, os donos devem vir até a ilha quando querem velejar. Também existem poucas casas na ilha que se auto denominam "pedacinhos do paraíso" e, diferentemente das casas que ficam em lugares privilegiados no Brasil, estas não tem muro e ficam a vista de todos os visitantes da ilha.



Uma das casas de moradores da Ilha (além dos milhares de esquilos!)

Ah, a ilha tem uma praia de nudismo (opcional) que obviamente não poderemos mostrar neste blog de família.

E não se pode acampar na ilha de Toronto, então a dica é ir cedo para conhecer com calma cada pedacinho dela. Com certeza é um dos passeios imperdíveis de Toronto. Para quem quiser mais detalhes, o site oficial é: http://www.toronto.ca/parks/island/

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A busca por um celular

Antes de sair de SP pesquisei e descobri que meu aparelho Nokia GSM não funcionaria no Canadá, ele tem que ser pelo menos tri-band contendo as frequências usadas aqui. Decidi então que compraria um novo quando chegasse em Toronto.

O da Claudia, por ser mais novo (4-band), poderia ser usado. No primeiro dia util em Toronto fomos num shopping e pesquisamos o preço de um novo SIM card para ela. Para surpresa nossa, o preço dentro de uma mesma operadora variava de loja pra loja! Algo estranho para nós.... acabamos passando por outro shopping (o famoso Eaton Center em downtown) e achamos um mais barato naquelas barraquinhas multi-marcas de centro de corredor.

Fomos atendidos por mais um imigrante (que dúvida!), este com sotaque e feição árabe. Se falar e entender inglês nos primeiros dias já é difícil, imagina dois imigrantes tendo que negociar numa língua que não dominam!

Logo no início já desconfiei do sujeito, mas como a Claudia estava mesmo querendo comprar resolvemos continuar. Assustamos quando ele abriu o site da operadora para fazer o cadastro e começou a preencher todos os campos de endereço e dados pessoais com informações fictícias. Só o nome ficou certo. No final saímos de lá com o celular funcionando e a Claudia feliz. A Fido, operadora, ganhou um cliente e mais um registro cheio de lixo no seu banco de dados...

Como eu tinha que comprar um aparelho novo, resolvi pesquisar operadoras, planos e preços. Não imaginava que ia ter tantas variáveis. Tem tudo quanto é opção e eles tem várias tabelinhas pra entendermos o que está incluso em cada plano. No final é tanta informação que acaba sendo quase impossível comparar entre operadoras, desisti...

Uma das grandes diferenças dos planos pós-pagos aqui é o tempo do contrato de fidelidade. O mínimo é 24 meses e o normal, 36 meses. Para nós, é muito tempo! Não sabemos onde vamos estar mês que vem, imagina fazer um contrato de 36 meses! E, além disso, você ainda paga um "system access fee" mensal (é uma taxa deles para usar a rede, não embutida) e mais uma taxa mensal se quiser usar o famoso 911 pra chamar a polícia e bombeiros (é tudo "plus").

Bom, nessa condição optamos mesmo pelo pré-pago. Achávamos que ia ser mais simples... engano. Mais um monte de tabelinha pra entender as opções do pré-pago! Sim, você pode optar por $1 por dia pra ter ligações recebidas ilimitadas!! Essa a primeira surpresa, aqui nós pagamos pra receber ligações o mesmo preço pra fazer! Se não qusier pagar, tem que comprar um "pacote".

Outras opções são ligações a 20 centavos ou 30 centavos o minuto, dependendo do quanto você carrega no mês! É bem mais barato que no brazil (R$1,39), mas você paga por tudo, até pra acessar a caixa postal. E se quiser ter caixa postal, mais um valor a parte. Identificador de chamadas, preço adicional! Ligar para o 911, mais uma taxinha mensal. E todos os cartões pré-pagos vencem em 30 dias, com exceção do de $50. Agora entendi porque o pessoal que trabalha com Billing de Telecom lá do Brasil vem ganhar dinheiro aqui no Canadá... pra configurar isso deve ser loucura.

Enfim, não sei ainda o que é melhor, pagar os R$1,39 do Brasil que já vem com tudo embutido ou ir colocando as "camadas" aqui. Tentei por dois dias (sabado e domingo) comprar meu celular mas não consegui ser atendido. Pareciam as lojas de SP, filas enormes e pouca gente pra atender. Deixei pra hoje, meio da semana, onde todos estão trabalhando e só eu procurando celular. Acabei pegando um Fido pré-pago com um Nokia mais barato que tinha na loja. Mas preferi comprar numa loja oficial da Fido, o atendimento é melhor do que nas barraquinhas multimarcas. Ganhei $25 pra poder usar no primeiro mês com todos os serviços embutidos. Vamos experimentar pra ver...