sexta-feira, 27 de março de 2009

Primeiro Emprego da Cláudia

Esta foi a minha primeira semana de trabalho em Toronto. Estou trabalhando como Project Coordinator (Coordenador de Projetos) numa pequena empresa do ramo financeiro. Fui contratada como funcionária, então tenho direito aos benefícios (dentista, auxílio na compra de medicamentos, férias remuneradas, etc.).

Meu timeline (linha do tempo) para arranjar emprego foi:

04/Setembro = Início de 4 meses de curso de Inglês
05/Janeiro = Início de 2 semanas de curso no JobStart
04/Fevereiro = Envio do Primeiro Curriculum
05/Fevereiro = Chamada para primeira entrevista
05/Março = Aprovada no Programa UoT
11/Março = Envio do curriculum para meu emprego atual
13/Março = Chamada para entrevista
16/Março = Proposta de emprego
23/Março = Início do trabalho

A competição está bem acirrada e nesta hora seu networking é tudo. Eu fui me enfiando em todos os programas que eu achei que me ajudariam a arranjar um emprego (Programa de Mentoring, Voluntariado em TI, Classes de conversação em Inglês etc.).

Para arranjar este emprego eu tive uma certa ajuda pois o Robson conhecia uma pessoa que trabalha nesta empresa e coincidentemente havia uma vaga de Project Coordinator. Mesmo não me conhecendo, o amigo do Robson encaminhou o meu resumé na empresa, o que foi com certeza um diferencial. E como a Diretora gostou muito de mim, fui aprovada. E esta é outra diferença aqui no processo seletivo, se quem está contratando não achar o candidato perfeito para posição, eles não contratam. A minha chefe ficou com a vaga aberta 2 meses e 1/2 até me contratar.

Já na primeira semana trabalhei muito pois entrei num projeto que começou o ano passado, então estou tendo que correr muito para conseguir ter o conhecimento do que aconteceu e está acontendo no projeto. Mas o ambiente de trabalho é muito amigável, a Diretora organiza confraternizações da equipe mensalmente e toda sexta rola um almoço com a equipe do meu projeto. Já descobri que isto não é comum nas empresas e eu fico feliz porque estou trabalhando numa equipe com estes valores.

Um grande passo foi dado: Meu primeiro emprego no Canadá e praticamente na mesma função que eu tinha no Brasil. Agora é trabalhar para fazer minha carreira em TI no Canadá.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Family Doctor (Médico de Família)

Sempre lemos nos jornais que existem poucos médicos de família em Ontário para atender toda a população e que é muito difícil de encontrar um que esteja aceitando novos pacientes.

Para você obter uma lista de médicos de família que estão aceitando novos pacientes é só entrar no site do The College of Physicians and Surgeons of Ontario e fazer uma consulta. Uma amiga minha pegou esta lista dos médicos que estão aceitando pacientes e próximos da casa dela mas constatou que nenhum deles estava aceitando novos pacientes.

Eu fiz uma consulta solicitando todos os médicos de família que estão aceitando novos pacientes na cidade de Toronto e obtive uma lista com mais de 250 médicos. Resolvi começar do fim da lista e descobri que os 3 últimos médicos estão aceitando pacientes. Não tentei mais pois já escolhi um que ficasse mais próximo aqui de casa, bem no centro e perto do metro.

Marquei minha primeira consulta com relativa facilidade, liguei numa segunda e já marquei para quarta-feira de manhã. Cheguei lá, consultório cheio e as consultas são marcadas com diferença de 5 minutos entre uma e outra. O que eu gostei do médico é que ele é muito educado, mas é tudo muito rápido, perguntas objetivas e respostas curtas. Não tem bate-papo ou sorrisinhos. Ele já pediu exames de sangue e me mandou para um laboratório que fica no mesmo prédio.

O laboratório é bom, muito semelhante a um Delboni (particular nível classe média) de São Paulo. E nunca tiraram tanto sangue meu de um vez só. Foram 6 ampolas grandes e 2 ampolas pequenas. Eu que não ligo de tirar sangue fiquei assustada.

Mas fiz tudo com a carteirinha de saúde do governo e não paguei nenhum centavo. Até agora não posso reclamar.


domingo, 15 de março de 2009

Esquiando em Mount St. Louis Moonstone

Bem no final do inverno fomos esquiar pela primeira vez no Canadá.

Por indicação de um amigo do Robson fomos conhecer o Mount St. Louis Moonstone Ski Resort que fica a 1 hora e 1/2 de Toronto. O Robson já havia esquiado antes mas eu nunca tinha colocado um esqui na vida.

Pistas de Ski e o Teleférico

O Resort é muito legal, tem várias pistas de esquis de acordo com o seu nível: iniciante, intermediário ou avançado. Lá você paga a entrada que pode ser para adulto (CAD$ 47), jovem (CAD$ 39), criança (CAD$ 32) e senior (CAD$ 36). Não é um passeio barato, pois você ainda tem que alugar o equipamento como bota, ski e poles que custa CAD$ 32). Eles também oferecem alguns tipos de passes válidos por um período maior como o passe que vale para a temporada toda de esqui que sai por CAD$ 710,00. Eu diria que é um hobby para poucos.


Mapa com as pistas de Ski em Moonstone

A dica para quem é iniciante é pegar os pacotes especiais que eles oferecem. Nós pegamos um pacote chamado Discover Ski Package (entrada pista iniciantes+aluguel equipamento+ 1 hora aula = CAD$ 55). Você tem que usar um crachá que indica o tipo de pista que você tem acesso.

O impressionante é ver as criancinhas esquiando. Vi meninos de 5 ou 6 anos esquiando sozinhos, descendo a pista de iniciantes na maior velocidade. Imagina só quando eles crescerem como vai ser...

Dia de sol, céu azul e temperatura acima de zero

Um informação interessante é que a neve pode ser gerada através de máquinas durante a madrugada. Principalmente agora no final do inverno quando dá para ver que a neve vai derretendo durante o dia.

O Robson que já havia esquiado antes, tirou de letra. E ainda conseguiu filmar as descidas nas pistas segurando a máquina na mão. Quem sabe, pode.

Traje completo para esquiar

Eu que nunca havia esquiado achei difícil aprender. Você tem que curtir velocidade, ter coordenação motora e força nos joelhos. No final do primeiro dia, a única coisa que eu aprendi foi diminuir a velocidade fazendo a posição de "pedaço de pizza" (você faz um V ao contrário utilizando os esquis). Mas tem que tomar muito cuidado para não cruzar os esquis em alta velocidade pois o tombo pode ser muito feio! Mas eu ainda chego lá.



sexta-feira, 13 de março de 2009

Jogo de Baseball: Canadá X USA

Robson me fez uma surpresa e comprou ingressos para o jogo de baseball do World Baseball Classic 2009 (equivalente a uma copa do mundo de baseball). Os jogos que aconteceriam em Toronto fazem parte da rodada inicial do campeonato, e fomos assistir o jogo entre Canadá x USA no estádio do Rogers Centre. Segundo os especialistas, o USA iria ganhar fácil.

Meia hora antes do jogo e o pessoal finalizando os preparativos

O estádio é muito legal (leia mais sobre o estádio no post Estádio Rogers Centre). O mais interessante é ver que apesar do canadense ser fanático pelos times da casa como Blue Jays (baseball), Maple Leafs (Hoquei) e Raptors (basquete NBA), o clima no estádio é bem pacífico. Os torcedores se misturam e não tem discussão. Perto da gente estavam americanos vestidos com a bandeira do USA e ninguém mexeu com eles mesmo eles provocando os canadenses. É lógico que os americanos receberam uma chuva de pipocas quando o Canadá passou na frente do USA, mas nada comparado ao que aconteceria com um Argentino vestido com a bandeira da Argentina no meio da torcida do Brasil.

O time do Canada e o time dos USA (muitos jogadores famosos)

O jogo começou as 14 horas e foi terminar às 17:30. E para quem não está acostumado com o jogo de baseball pode achar meio parado, mas eu que gosto achei muito divertido. Ah, a comida típica do estádio é cachorro-quente, batata frita, pipoca e amendoim com casca. E obviamente tudo caro, eu comprei uma batata frita e refrigerante e custou 10 dólares. O Robson quis comprar um pacotinho de M&M mas quando ele viu que custava 4,50 dólares perdeu a vontade.

Foram mais de 44.000 pessoas para assistir o jogo e ele foi emocionante. Infelizmente o Canadá perdeu de 5 x 6, mas pela primeira vez eu pude ver os canadenses serem levados pela emoção e fazer pressão nos momentos decisivos do jogo. E pelo que vimos nos comentários após o jogo, a torcida fazer pressão sobre o adversário é muito raro de acontecer.

Estádio Lotado: Mais de 44.000 pessoas

Infelizmente não conseguimos pegar nenhuma bola de baseball mas compramos uma como lembrança do nosso primeiro jogo de baseball.

Nossa bola de baseball

terça-feira, 10 de março de 2009

Primeiro Aniversário no Canadá

Confesso que eu estava curiosa como seria passar esta data longe da família e dos amigos. Sempre passei o meu aniversário com meu celular tocando o dia inteiro, recebendo abraços durante o dia e finalizando com uma baladinha noturna com os amigos.

E posso dizer que meu primeiro aniversário no Canadá foi um muito diferente e feliz. E devo isso a muita gente que contribuiu para que ele fosse realmente inesquecível.

Eu e a galera sorridente em casa.

Primeiro tenho que agradecer a meu super marido Robson que realmente transcedeu os limites da criatividade para me fazer surpresas neste final de semana. O jogo de baseball, os balões, os presentes, o pacote para esquiar, enfim acho que eu já te falei, mas amo você.

Robson desta vez apareceu no foto

Um almoço super especial com nossos amigos Joesse e Leo no restaurante Red Lobster que eu queria conhecer.

Leo, Joesse e Eu.


As conversas via WEB com D.Rosa, D.Lineide, Vander, Aline, Luciane, Val e Nei.

Aos amigos que me escreveram emails mandando noticias e todo seu carinho: Ana Lara, Bruna, Hitomi, Chorfi, Enio, Mirto e Zá.

A minha famíla e amigos que escreveram 32 recadinhos carinhosos no ORKUT: Tina, Fujiki, Rita, Tiemi e Yano, Marco, Pri Eda, Tur, Edinha, GG, Ricardo, Kei, Luiz, Jô, Renata, Carina, Deolene, Flaviano, Caio, Andrea, Sil, Mai, Lú, Póvoas, Di e Marcos Falbo, Dê, Silvia, Iá e Aldo, Alê e Cris Oshiro.

Vocês realmente fizeram a diferença para que eu me sentisse muito querida e feliz neste dia. Agradeço todos e desejo que esta felicidade circule e retorne mais forte para todos vocês.

Por isso eu acredito que não importa a distância física pois amor e amizade não encontram barreiras e transcedem todas as distâncias.

sábado, 7 de março de 2009

Entrando na Universidade de Toronto

Esta semana recebi a notícia que fui aprovada no processo seletivo para o programa Pathways to Employment in Canadian Project Management - (PECPM) oferecido pela University of Toronto (UoT) - School of Continuing Studies.

A UoT é uma universidade conhecida mundialmente e muito respeitada aqui em Toronto, ter um curso dela em seu curriculum definitivimente é um plus. Geralmente os cursos são caros, um curso iniciante de project management (gestão de projetos) com 12 sessões custa 600 dólares.

O PECPM é um programa piloto então ele está sendo oferecido sem custo para quem passou no processo seletivo. Com esta crise, a concorrência foi bem acirrada. Minha classe será a segunda turma deste programa que começou no ano passado. O objetivo dele é facilitar o processo de entrada do Gerente de Projeto com estudo e experiência fora do Canadá no mercado canadense. Basicamente ele é composto de 2 partes: 120 horas de aula na UoT (orientar sobre o mercado canadense, diferenças de gestão de projeto e inglês avançado para o ambiente de trabalho) e 16 semanas de internship numa empresa canadense atuando como project manager. O internship não é garantia de emprego, mas com certeza te deixa bem mais perto de conseguir um.

Na verdade esse programa era exatamente o que eu precisava, treinamento e oportunidade para entrar numa empresa canadense. E ainda por cima, oferecido pela UoT de graça.


Eu e a UoT ( esta foto foi tirada na primeira semana em Toronto,
seria uma premonição?)

sexta-feira, 6 de março de 2009

Utilizando o sistema de saúde no Canadá

Pela primeira vez em 6 meses utilizei o sistema de saúde de Ontario!
(Leia maiores detalhes sobre o sistema de saúde do Canadá no post Solicitando o cartão de saúde)

A primeira coisa que vem na nossa cabeça é a dúvida de como será o atendimento pois é fato que existem poucos médicos e enfermeiras para atender a população e as filas em hospitais e consultórios médicos é enorme. Mas não é porque o sistema ruim e sim porque não tem médicos e enfermeiras capacitados dentro dos padrões canadenses. As vagas existem, mas mesmo os imigrantes com muita experiência e formados nas melhores faculdades de seu país tem que passar um processo de equivalência e regulamentação de seus estudos/experiência que pode levar bastante tempo.

Na última segunda tive uma crise de enxaqueca e como ela não passou, fui obrigada a procurar atendimento médico. Na hora é aquela correria, procura endereço de hospital e walk-in clinics ( consultório com clínico geral).

Muitas pessoas já nos disseram para só procurar hospitais se você estiver numa situação crítica, ou seja, correndo risco de vida ou de perder algum membro se não tiver atendimento imediato, pois caso contrário, você vai esperar pois todos os pacientes emergenciais serão passados na sua frente. E só para constar, sentir dor nem sempre é considerado emergencial. Um amigo meu contou que ele teve um ferimento no olho e foi para o hospital sentindo uma dor horrível, depois que ele verificaram que não havia risco dele perder o olho, ele foi colocado na fila de espera e viu mães dando a luz, gente chegando de maca e outras situações, até que eles desssem algo para aliviar a dor dele.

Enfim por tudo isso decidimos ir a uma walk-in, que estão espalhadas por toda a cidade, estivemos na mais próxima de casa que fechava às 20 horas mas às 18 horas já não estava aceitando mais pacientes pois a fila de espera era grande. Ela nos recomendou ligar na mais próxima para ver se ainda estavam aceitando pacientes, por nossa sorte, ainda estavam. Chegando lá vimos que estava vazia, praticamente eu fiz a ficha e já fui chamada para atendimento. O atendimento é impessoal, como se fosse um Pronto Socorro particular no Brasil, o médico pergunta o que você tem, examina o básico só para ver se você não tá morrendo e baseado no que você falou te dá a receita médica. E no final ainda fala, se não passar, procure um hospital.

No final minha enxaqueca até já tinha passado mas fomos ver o preço do remédio. Um remédio para enxaqueca com 6 pílulas custa 90 dólares. O engraçado foi o farmacêutico ficar perguntando se a gente tinha plano de saúde e quando respondemos não, ele mesmo falou que o remédio era muito caro e para gente tentar primeiro os remédios de prateleira (que não precisam de receita médica). Conversando com outros farmacêuticos descobri que a regra é tentar os remédios da prateleira, que por sinal são de uma variedade enorme, e só em último caso comprar o remédio com receita, pelo menos neste caso. Então já comprei meu kit para tomar se a enxaqueca aparecer de novo.

Outra diferença é que o farmacêutico é a pessoa que vai te orientar como tomar o remédio. O médico só prescreve o remédio, quando eu perguntei como tomar , ele me respondeu que o farmacêutico é que me orientará como tomar. E de fato, eles tem um conhecimento muito profundo sobre os remédios. E mais uma vez pude constatar como os profissionais são especializados aqui no Canadá.