domingo, 31 de agosto de 2008

Verão para os Canadenses

Já havia lido em outros blogs que o Canadense aproveita cada minuto do verão. Para se ter uma idéia, o feriado do Dia do Trabalho 01/Maio foi mudado para a primeira segunda-feira de Setembro para proporcionar um final de semana prolongado no fim do verão.

Aqui pudemos perceber pela B&B, eles fazem todas as refeições fora da casa para aproveitar o quintal e o sol. Mesmo quando anoitece, eles acendem uma fogueira e continuam no quintal. Realmente você tem de aproveitar os poucos meses que consegue ficar fora de casa, pelo que o dono nos contou, no outono, inverno e meio de primavera, eles não conseguem sair de casa por causa do frio.

O frio do Canadá era uma imagem tão forte para gente que quase não trouxemos roupas de calor. E mesmo sabendo que chegaríamos na última semana do verão, não esperávamos pegar este calor e dias de sol que anda fazendo por aqui. É muito quente, você pode ficar de short e camiseta sem manga até umas 20 horas da noite.

Aqui em Toronto não tem praia com mar, mas tem o Lago Ontário. Em suas margens tem até areia e vira uma praia com uma orla enorme com direito a ciclovias, piscinas, vôlei de praia, aparelhos para musculação, caiaques e barcos. A grande vantagem é que você pode estender sua esteira na areia e nenhum vendedor vem te encher. Não existem vendedores ambulantes na praia, existem alguns poucos quiosques ou carrinhos que ficam na calçada de pedestres, mas você tem que ir até eles.

Praias do lago Ontario


Piscina pública e de graça em frente ao lago

Neste último final de semana do verão, existem várias atividades na cidade e fomos conhecer uma delas, o Air Show. Aviões de caça, e muitos outros que a gente só vê em filmes ficam fazendo acrobacias durante 3 horas. Você senta na beira do lago e fica olhando para o céu impressionado. E tudo grátis.




Muitas pessoas vieram de outras cidades próximas para passear em Toronto neste feriado e a cidade fica cheia. Descobrimos que não é um bom final de semana para se comprar algo em shopping pois eles ficam lotados. A aglomeração de pessoas nos locais de passeio é maior do que São Paulo, mas a diferença aqui é que eles tem mais infra-estrutura para lidar com esses picos.

Transporte em Toronto

O transporte público em Toronto parece funcionar muito bem. Você tem 3 opções para utilizar: ônibus, streetcar (como se fossem bondes que andam em trilhos) e o metrô. Pelo que pudemos perceber o pessoal utiliza streetcar e ônibus mais para chegar até o metrô, porque eles são mais lentos.

Streetcar

Tem muitas linhas de ônibus e streetcar para complementar o metrô. Só pegamos o streetcar uma única vez, ele é roda numa velocidade lenta, cada parada é anunciada por uma voz gravada dizendo o nome do ponto e alguma atração próxima ao ponto. Mas em downtown (centro) vimos uma fila grande para pegar o streetcar na hora da saída do trabalho.

Uma passagem de metrô, ônibus e streetcar custa CAD$ 2,75, mas você tem direito de utilizar quantos deles quiser para chegar até o seu destino. Ao comprar a passagem, seja nas máquinas automáticas (sim aqui funciona comprar a passagem numa máquina automática) você ganhará o que eles chamam de token (uma moeda pequenina) que você insere nas catracas do metrô ou entrega no ônibus ou streetcar. Para pegar o próximo transporte, você pega com o motorista (no caso de street car ou ônibus) ou na máquina automática, um papel chamado Transfer para ter direito as outras conduções que você precisará pegar. Outra coisa não há cobrador no streetcar e ônibus, então se você não tiver dinheiro trocado exato da passagem, não vai entrar.

Mas uma coisa legal é que eles tem o Metropass, o passe que custa CAD$ 109,00 e tem validade mensal, ou seja, o Metropass de setembro tem validade do dia 01/09 até 30/09 e durante este período você pode pegar quantas conduções (metrô, streetcar e ônibus) quiser, não tem limite. Nos já compramos o nosso, eles começam a vender sempre a partir do final do mês anterior.

Metropass para Setembro

A manutenção das estações e trens do metrô aqui são bem piores que de SP. É bem antigo e meio sujo. Mas ele funciona bem e a malha de metrô é razoável, muito maior que de SP. No final das contas, melhor trem sujo que te leve pra onde vc precisa ir do que um limpo que não cobre quase nada da cidade.

Toronto Subway

Fora isso, a prefeitura incentiva muito o uso de bicicletas (www.toronto.ca/cycling), elas podem ser levadas dentro dos transportes públicos (metrô, streetcar e ônibus), várias vias exclusivas de bicicleta e inúmeros lugares para você "amarrar" sua bicicleta. Agora no verão é possível vê-las por todos os lugares, inclusive pais de bicicleta puxando bebês/crianças em carrinhos especiais para este fim.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Newcomers em Toronto

Acho que o que mais nos impressionou até o momento é a estrutura do governo canadense e de organizações para dar suporte ao imigrante.

No próprio aeroporto, depois de checarem os documentos de imigração, eles já te entregam vários folhetos de instituições (a maioria com serviço grátis) que fornecem suporte ao imigrante ou, como somos chamados aqui, newcomers. São associações que recebem subsídio do governo para prestar esses serviços.

A maior associação que vimos até agora é a YMCA (http://www.ymca.ca/), só em Toronto são 4 unidades. Além das várias atividades que eles eles propiciam mundialmente, em Toronto eles prestam o serviço de informações e suporte para recém-chegados.

Na terça-feira estavamos indo em direção à YMCA do centro quando vimos uma biblioteca municipal. Como estávamos sem internet, resolvemos entrar pois lá sempre tem grátis. Ficamos assustados com o tamanho do prédio e da estrutura. Após os e-mails, estávamos saindo quando vimos uma mesinha da YMCA lá dentro. Paramos para conversar e recebemos várias informações. Mas ele nos recomendou continuar até a unidade do centro para poder fazer a carteirinhas e outras coisas.

Prédio de uma das mais de 100 Bibliotecas Públicas de Toronto

Na unidade do centro, você entra sem marcar hora, já é encaminhado direto para o 3o. andar (Newcomers Center) e uma pessoa já começa a te atender. A primeira pergunta foi se nós tínhamos o documento de residente permanente (ou seja se você é um imigrante legal) pois com ele você ganha uma carteirinha na hora e tem direito de usar toda a infra-estrutura deles: Internet, Telefone (fazer e receber ligações locais), impressão, fax, xerox e scanner. Além de ter um tutor que vai te acompanhar e dar suporte para todas as dúvidas que você tiver nestes primeiros anos.

Eles também dão diversas palestras grátis que vão desde sobre a história do canadá, mercado de trabalho, saúde, finanças, fazer entrevistas de trabalho, etc. E o melhor, tudo de graça.

O YMCA também faz uma avaliação do seu nivel de inglês. Se você seu nível for intermediário ou abaixo, eles encaminham para uma escola de ingles que é subsidiada pelo governo. Os mais avançados tem que pagar se quiserem melhorar o inglês. Já agendamos nosso teste para próxima quarta-feira.

A nossa tutora YMCA também é uma imigrante espanhola (como muitos por aqui) e nos levou para fazer um tour pelo prédio, nos mostrou 2 paredes enormes só de folders com informação sobre tudo o que se pode imaginar. Ela faz uma entrevista com você, verifica o que você já fez sober as documentações e mostra o que ainda tem que ser feito. Explica sobre as leis e impostos em Ontário, sistema de saúde, emergências, enfim, ela despeja um monte de informação praticamente impossível de se registrar tudo. Fora o monte de folhetos e papéis que ela nos deu para termos mais "detalhes" do que ela falou.

Conselho: se você tentar absorver tudo o que o YMCA lhe proporciona você ficará estressado, então o melhor é você procurá-lo cada vez que for dar um passo. No nosso caso, como já tínhamos providenciado muito das coisas da lista básica deles, perguntamos especificamente do aluguel de apartamento, e posso lhe dizer que já saímos de lá com muitos papéis com informações, até de uma instituição que revisa o contrato de locação de graça para imigrantes para não serem enganados.

Resumindo: eles te orientam bastante, mas é no estilo estou dando a rede para você ir pescar seus peixes.

Que venham os peixes canadenses !!!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Paladar Brasileiro nos 3 primeiros dias em Toronto

Podemos dizer que os canadenses não são adeptos ao sal como o brasileiro. Na minha opinião eu achei bem mais saudável, pois não precisamos de tanto sal na comida mesmo. Até o shoyo em restaurante japonês é bem light de sal. A comida japonesa é bem barata quando comparada ao Brasil, um rodízio (coma o que puder) de comida japonesa sai por menos de CAD$ 18 (sem contar as taxas do governo, é claro), eu pessoalmente estou amando ter como opção econômica uma refeição num restaurante japonês. A comida que mais se assemelha ao tempero brasileiro é a culinária grega, muito boa por sinal. Para um mesmo prato, a opção de carne de boi será sempre a mais cara, seguida do frango e depois do carneiro ou porco. Uma coisa muito boa aqui é a variedade maior de doces do Starbucks Coffee ( o bolo de limão é ótimo) além de muito mais barato que o Brasil. Aqui tem várias redes que concorrem com o Starbucks e também com o estilo do Subway Sanduíches, o pessoal aqui em Toronto costuma fazer um almoço leve e rápido. Pudemos constatar quando estávamos escolhendo o almoço num fastfood de comida grega, o prato que escolhemos (salada, carne, arroz, legumes) é um prato cujo nome termina com Dinner, ou seja, é um prato para jantar! Enquanto que as outras pessoas costumam levar para viagem, e geralmente somente salada.

Primeiro Dia em Toronto

Diferente dos primeiros dias de uma viagem de passeio, nosso primeiro dia como imigrantes foi destinado para tirar a nossa documentação canadense. A primeira coisa que fomos fazer foi tirar o SIN (Social Insurance Number), sem este número você não existe financeiramente para o governo canadense e não consegue trabalhar legalmente.

Para isso fomos numa agência do governo chamada Service Canada, é um local em que os cidadãos tem acesso a todo tipo de serviço oferecido pelo governo. É um equivalente a um "Poupatempo" de SP. Mas as semelhanças acabam aqui...

A primeira surpresa é que ao procurar uma agência do governo que faça este serviço, descobrimos que existem várias espalhadas por Toronto. No nosso caso fomos a pé da B&B para uma agência dentro de um shopping.

Chegando lá, uma fila de imigrantes de todas as nacionalidades (indianos, chineses, etc). Na verdade não é só na fila que se vê isso, é em todo lugar. 40% dos moradores de Toronto são imigrantes. Existe uma piada que esses 40% são os que estão pelas ruas e os outros 60% trabalhando nos escritórios... :)

A atendente pediu que aguardássemos na recepção e que nos chamariam pelo nome. A agencia é muito bem cuidada, bancos confortáveis, decoração impressionante. Não se parece em nada com serviço público que estamos acostumados no Brasil... Nos atenderam bem rápido e o Robson já saiu com o número do SIN provavelmente porque ele foi o principal aplicante do processo, mas o meu demora 2 semanas para sair.

Aproveitamos o dia para ver como é abrir uma conta no banco e descobrimos que é muito fácil. O gerente (descendente de portugueses, muito simpático e atencioso) nos explicou tudo e ofereceu uma conta com 3 meses de serviços grátis para vermos como é. Saímos de lá com a conta aberta e os cartões em mãos. Isso porque chegamos há 1 dia no país, não temos emprego e o gerente nem fez questão de fazer depósito na conta para abertura. Os cartões, diferente do Brasil, não têm o seu nome gravado por segurança, eles dizem que se você perder o cartão ninguém sabe que é seu e o cartão de banco é apenas de banco mesmo. Incrível mesmo foi a taxa de retorno de investimento é 0,025% por ano para o investimento (tipo poupança no Brasil).

Tiramos o resto do dia para passear, seguem algumas fotos:


A esquerda o Roger Center e a direita a CN Tower


Lago Ontario




Boas surpresas no B&B

A B&B (Bed & Breakfast, ou "Cama e café da manhã"- o nome das pousadas familiares aqui) fica na parte Oeste de Toronto. É uma casa de tijolinhos e madeira, no meio de tantas iguais e praticamente coladas uma a outra. Mas uma rua muito tranquila e onde os carros são estacionados na rua pois as casas não tem garagem.

A Maria, dona do B&B é muito simpática e nos acolheu realmente. Ela nos recebeu com um lanche que tinha até melancia (contradizendo algumas pessoas, a melancia é muito doce aqui, pelo menos no verão) e com muita alegria. Realmente estamos nos sentindo morando junto com ela, pois ela não é formal e nos trata como visitantes conhecidos.

Para nossa surpresa ela combinou um jantar com a amiga Cristina (uma portuguesa casada com brasileiro) que preparou um arroz e feijão preto para nosso primeiro jantar no Canadá. O jantar foi servido no quintal que possui uma Pereira (Árvore que dá peras), uma árvore de cranberries (uma frutinha vermelha que não dá para comer crua, mas é muito bom para fazer geléia) e muitas, muitas flores.



Também conhecemos um vizinho muito especial, um filhote de Raccoon (guaxinim), o Robson assustou com o tamanho dele ao descobrir que era apenas um filhote, e que adulto terá 3 vezes o tamanho que tem agora (isso porque ele já é do tamanho de um gato enorme). Ele mora perto com a mãe e mais 2 irmãos. Dizem que não se deve alimentá-los pois se eles gostarem da comida dada, irão revirar o lixo para encontrar mais. Tadinho, vai ter que viver de peras e cranberries.

O pessoal da casa é muito legal, a casa é aconchegante, muito bem localizada (5 minutos de caminhada do metrô Dundas West) e estamos nos sentindo muito bem tratados aqui. Se um dia quiseram um lugar para ficar em Toronto, aconselho fortemente. Como vamos ficar algumas semanas, conseguimos negociar um preço especial (http://www.stonehouseonsterling.com/)

Do aeroporto para B&B

No aeroporto de Toronto já recebi meus primeiros 25 cents ao devolver o carrinho utilizado para carregar a bagagem, tudo bem que antes o Robson pagou CAD$ 2 para poder usar. Tivemos de pegar uma Van para carregar nossas malas pois eram 4 malas grandes e 2 malas pequenas (mais 2 mochilas), isso significa um acréscimo de $12 na corrida de táxi. Aqui as corridas de táxi são tabeladas por área da cidade. Já pudemos constatar a forte imigração ao conhecer o taxista, um advogado indiano que chegou ao Canadá há 4 anos, trabalhou como motorista de caminhão e agora se tornou motorista de táxi há 2 meses. Ele pretende fazer a prova e matérias para conseguir ter a equivalência do diploma de advogado, sem isso, ele não pode exercer a profissão no Canadá. Ainda bem que podemos exercer nossa profissão sem precisar desta equilência pois em IT (Information Technology) não existe esta regulamentação.

A viagem para Toronto e a recepção na alfândega

Optamos por um vôo pela American Airlines com escala em Miami em função do preço. A preferência era por Nova Iorque, mas já não tinha em promoção. Outra opção seria um vôo pela AirCanadá direto de SP a Toronto, mas o preço não era convidativo... Para quem não tinha pressa para chegar, uma parada em Miami não ia ser problema. Uma dica: comprando a passagem na própria agência da AA (Hotel Hilton na Berrini) e pagando com Mastercard tivemos um bom desconto.

No aeroporto passamos pelo pré-checkin da AA onde são feitas questões sobre segurança e conferidos os passaportes e vistos. Ela foi bem detalhista pois percebeu que o nosso visto canadense era para imigrante e foi pedindo a documentação do processo de imigração. Como a documentação estava certa, somos bem certinhos, nos liberou sem problemas. Mas não viajem com escala em Miami, pegamos uma excursão que no mínimo deveria ir para Disney com umas 50 pessoas na nossa frente.

O vôo saiu no horário e chegamos em Miami às 6:05. Surpresa no desembarque, o Júnior (ainda lembram do ex-Sandy e Júnior?) estava viajando na mesma classe econômica que a nossa. Ou ele foi deserdado pelo pai e não ganha mais mesada ou estava querendo fazer propaganda barata na classe economica. No final vimos ele e sua banda (e ele é o mais baixinho!!) andado pelo aeroporto quando estavamos fazendo o outro checkin pra Toronto.

Passamos sem problemas pela alfândega americana, havia 3 filas com 3 policiais fazendo questões. A Claudia quis pegar a menor e vimos que ela não andava. Aí percebemos que o policial era muito, mas muito chato. E pegou um brasileiro da excursão que não falava nada em Ingles. Como ele estava se irritando muito, resolvemos pular pra outra fila. Nessa nem viram o passaporte da Claudia...

O inconveniente da conexão da AA é que você tem de pegar suas malas e levar até um outro ponto e cada um de nós estava com 3 malas mais uma mochila nas costas. Mas ainda tivemos tempo de bater umas fotos dentro e fora do aeroporto de Miami antes de pegar o vôo às 9:40 para Toronto. A diferença deste vôo é que eles só dão a água. O fone de ouvido, os snaks e o lanche são pagos e você deve acertar com o comissário de bordo.

Chegamos 12:50 em Toronto e ao nos apresentarmos na alfândega canadense, o agente faz um risco numa cor diferente em nosso documento e nos orientam à entrar numa sala especial de imigração. Pelo tamanho do local e organização devem chegar muitos imigrantes, mas éramos poucos na fila e imediatamente já fomos encaminhados para conversar com o agente da imigração. Ele foi bem objetivo, rápido e impessoal. Checou tudo o que é pedido no processo de imigração e nos encaminhou para uma outra sala onde nos deram um Guia do Newcomer (recém chegado) com informações sobre como se integrar na vida Canadense. Depois nos enviaram para o setor de receita, onde perguntam sobre o quanto estamos trazendo de dinheiro (eles exigem um mínimo para que a gente tenha condições de viver sem emprego até a recolocação). A surpresa é que a agente pediu para ver o dinheiro. Colocamos tudo na mesa e ela começou a... contar!! Anotou tudo e nos liberou.

Agora somos mais 2 imigrantes no Canadá (eles dão acesso a 250mil por ano!).